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"O Grande Amor da Minha Vida" | Paullina Simons

Opinião


Li a opinião no blogue Destante, de Odete Silva, e fiquei muito curiosa. Comprei-o numa promoção da Fnac e após ter -me chegado às mãos, demorei um dia a arranjar coragem para o ler. Pois... devido ao tamanho. *Porque demorei tanto a começar?* :'(
Raramente divulgo livros, a não ser os que desejo muito ler ou aqueles que gosto de aconselhar por ter lido e adorado. Este, de Paullina Simons, insere-se no segundo tipo, e por isso, divulguei-o no blogue. Podem ver aqui o post, no qual coloquei a sinopse. Aconselho a lerem, pois já sabem que eu não escrevo muito sobre elas nas opiniões, principalmente, as que estão muito boas. E esta está realmente boa. Diz muito em poucas palavras. Tal como eu gosto.
É a terceira vez que fico incapacitada para escrever uma opinião. Não tenho nada de errado com os dedos, nem com o computador onde escrevo, descansem. Felizmente! O problema está em conseguir exprimir-me convenientemente, dizendo “muito em pouco” (como a sinopse), que vos deixe a sonhar e sequiosos por lerem, tal como me aconteceu a mim. E, ainda mais, com que esse “muito em pouco” faça verdadeiro jus ao livro e às sensações que ele me transmitiu.
Por isso, vai ser um desafio. ‘Bora lá, então.
Simons, numa narrativa fluída e intensa, descreve-nos um cenário de guerra, um momento histórico, que marcou a Humanidade para sempre, inserindo uma pitada de ficção: o romance entre as personagens principais, Tatiana, de 17 anos, e Alexander, de 22, os dois nomes que figuram no título da Trilogia.
A acção decorre na muito gelada Rússia, em plena 2ª Guerra Mundial, onde a morte às mãos dos inimigos não era a única morte conhecida pelos civis. Estou a falar na morte. Boa, Ivonne! Agora, todos fugiram a sete pés. Bom, fiquem e continuem a ler.
Falo-vos na morte, porque num tempo de Guerra, é o que mais se vê. Mas não é só o que se vê e tenciono voltar a este ponto, daqui a pouco. Por enquanto, quero falar-vos um bocadinho de como os civis ficavam literalmente à espera da morte e que Simons descreveu de forma muito realista e crua. A fome e o frio que se fizeram sentir naquela época e naquele lugar, foram duas variáveis que mataram milhares. Milhões, talvez, deixando corpos frios, pelas ruas, ao abandono. Morrer sozinho? É triste demais, não o desejo a ninguém. 
Tatiana e Alexander são duas forças da Natureza, que primaram pela diferença, bondade e altruísmo, mais a primeira do que o segundo, mas ambos lutaram pelo mesmo: pela sobrevivência dos que mais amavam. Essa vontade levou-os a sacrificarem o que sentiam um pelo outro pelo bem dos que os rodeavam. A verdade é que a morte não só os rodeava, como os encurralava. Seja por doença, fome, frio ou às mãos dos inimigos, parecia algo inevitável. Cada uma pior que a outra, cada uma mais dolorosa que a outra. 
Simons descreveu de forma tão nua e tão crua, não deixando nenhum pormenor ao acaso, que foi impossível ficar indiferente. Fez-me reflectir no que tenho. Oh, como tenho tanto! E custou-me perceber isso pelo livro. Nós queixamos-nos, de forma quase inconsciente, soltando frases só por soltar, sem qualquer sentido, mas temos tanto... Tanto, que até me doeu ao ler sobre fome no livro e pensar sobre isso em tempo de Guerra. Fez-me reflectir que nada é como antigamente. As relações familiares já não são as mesmas; as amorosas, nem sequer vou falar delas, que são uma desgraça; e o valor que damos às coisas mais simples e mais bonitas também tem sido esquecido!
Dei por mim, em plenas ruas soviéticas, como se fosse um corpo fantasma, andando ao lado de Tatiana e sofrendo o que ela sofria, sentindo o que ela sentia, temendo o que ela temia… Senti-me a entrar no livro. Mesmo no livro. Compreendi o seu espírito altruísta, mas apeteceu-me bater-lhe. Era boa demais para a família que tinha... Só que... não deixo de a compreender. Era a única que tinha e o amor faz isso mesmo: com que sacrifiquemos tudo, TUDO, em prol do bem-estar dos outros, mesmo sabendo que esse bem-estar não seria prolongado.
É de salientar que o narrador é heterodiegético, ou seja, conseguimos saber o que pensam as personagens, nomeadamente, as principais. Tanto vemos o lado de Tatiana, como de Alexander e de outras, mas não tão pormenorizadamente, o que torna uma leitura muito mais abrangente em termos de pontos de vista e nada aborrecida. 
Fiquei assoberbada pelo relato intenso e apaixonante feito por Simons. Bem sei que não é um relato real,  e já lá vão os tempos em que me interessava por História e sabia as datas todas. Só sei que, certamente, pelas origens da autora e pelas intensas pesquisas históricas da sua parte, não deve ter ficado muito aquém do que se poderia ter realmente passado. Dei por mim, por vezes, a imaginar, se existiram mesmo pessoas como estas personagens. De momento, somos 6/7 biliões. Há mais de sessenta anos atrás, não sei quantos eram, mas prefiro pensar que, pela força do destino, devem ter existido duas almas assim… Pelo menos, duas.
Só me recordo de me sentir assim uma vez com uma leitura, cujo conteúdo é mesmo um relato real: O Diário de Anne Frank. Curiosamente, passou-se também em plena 2ª Guerra Mundial. Tinha 16 ou 17 anos quando o li, idade em que sentia tudo de forma exponenciada. Admirei-me muito, pois o que senti com O Grande Amor da Minha Vida foi o dobro do que senti com o de Anne Frank. E este livro, o da  Paullina, fez-me ter vontade de o reler.
E agora esmiúço o ponto que deixei por alongar há pouco: a morte não é o que mais se vê na Guerra. Pelo menos, não neste romance. Neste, vê-se um amor a despontar, a crescer e a solidificar-se como o gelo que se forma nos solos e lagos russos. E a esconder-se, porque nem sempre as coisas correm como esperamos. De outra forma, seria fácil de mais.  
Estou a alongar-me na opinião, e não consigo dizer muito mais, pois nada do que eu disser, por muito ou pouco que seja, conseguirá fazer justiça ao seu conteúdo. Li o livro em 4 dias, durante os quais, deitei-me para lá das 4h da manhã (sendo que um deitei-me às 6h30). Fiz bastantes pausas, porque a crueza das palavras de Simons arrebataram-me por completo. Sei que devo ter dito isto nas opiniões dos últimos livros que li, mas este de Paullina Simons extasiou-me por completo, de corpo, alma e coração. 
O final fez-me ir ver quando saia o segundo volume e, oh! a minha surpresa, quando descobri que só sairá em Setembro de 2013. Estou tentada a enviar um e-mail à ASA para antecipar a publicação. Se todos o fizermos, temos mais probabilidade de virmos a ser bem-sucedidos nesta demanda! Sim, oui?  Não vos parece? A versão original da trilogia começou por ser publicada em 2000, por isso, não nos deixem à espera... É bom demais! (1 ano e alguns meses, para devorar o livro em menos de uma semana? C'mon... :D )
Chorei com a leitura, ri em algumas partes, sonhei com outras, pensei não ser capaz de ir até ao fim, mas fiquei completamente incapaz de o largar até o acabar. E quando o largava, era porque tinha de trabalhar para a faculdade ou de dormir para poder ler mais – sim, era este o pensamento que me fazia largar o livro. Pensei que não seria capaz de conter em mim as emoções que o conteúdo me transmitiu. E, de facto, não consegui. As lágrimas rolaram-me sem que eu me apercebesse.Chamem-me piegas, lamechas, ou o que quiserem… eu digo: leiam e comprovem por vocês, porque de uma forma ou de outra, é impossível ficar indiferente. 

Comments

  1. Excelente opinião querida Ivonne :)

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  2. Wooow obrigada pela opinião, adorei.
    Fiquei com muita vontade de ler este livro :D

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    Replies
    1. Obrigada Ana, lê mesmo! Não te vais arrepender, é um livro lindo!

      Delete
  3. A ASA diz que não consegue acelerar pois são livros muito grandes que levam tempo a traduzir. :(

    Não sei se é só por isso porque a Porto Editora ainda há dias disse que não consegue traduzir mais rapidamente os livros da Florencia Bonelli porque a venda por cá é muito escassa. Então acho que nisto há muito o factor económico envolvido. Livros com menos vendas não ficam no topo das prioridades de tradução. A Paullina Simons aposto que tb não deve ter vendido muito pois é desconhecida do público e o livro um tijolo. São duas autoras fantásticas e no entanto desconhecidas do público português. De qualquer forma eu só espero que as editoras de cá continuem a publicá-las.

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