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[Opiniões] - "Cartas Que Falam", de Bruno Araújo

Podem ver mais informações aqui.

Cartas que Falam 

Opinião

Antes de mais, quero agradecer ao autor pela oferta generosa do exemplar para leitura e passatempo no blog. Muito, muito obrigada, Bruno. Foi uma surpresa!

Em segundo lugar, pensei muito antes de escrever esta opinião. Para dizer a verdade, não sabia muito bem como a construir. Já tinha lido umas três ou quatro opiniões (e, pasmem-se, ainda me lembro do que li! A dor de cabeça de que tenho sido alvo tem surtido um efeito espantoso na memória! Será essa a solução? Bom, devaneios à parte...)... tinha lido três ou quatro opiniões e concordo com todas elas... em parte. 

"Se há algo que ninguem pode beliscar – ou deveria – são os factos, porque contra esses qualquer mentira será silenciada pela avassaladora verdade." 

A verdade é: o que se pode dizer sobre um livro baseado numa história verídica? Que se gostou? Que não se gostou? Este livro, em específico, retrata uma realidade, nua e crua - crua até demais, visto o próprio protagonista estar envolto numa espiral depressiva ao longo de todas as cartas - na perspectiva de um homem que sofreu imensas quedas ao longo da vida. 

Repito: gostei da história? Não, não gostei. Não é uma história para se gostar. É uma história para abrir os olhos da sociedade para uma realidade que a maioria nega existir e com a qual vive todos os dias. E, acima de tudo, como o próprio nome do livro indica - Cartas Que Falam - creio que sejam cartas destinadas a vários alguéns que fizeram parte da vida do protagonista real em que a história se baseia, que ele sim, anda por aí. É como se costuma dizer, o livro é como se fosse uma "chapada de luva branca", um elevação do orgulho por parte de quem superou - ou pensa ter superado - as tristezas e agonias do passado. As Cartas falam por si, as cartas dirigidas à família, aos amigos, aos colegas e aos amores são todas fruto de uma pessoa que quis mostrar. Mostrar, não falar.

Gostei da escrita e da linguagem, apesar de haver algumas vírgulas fora do sítio, algumas repetições de vocabulário inerentes às repetições da própria linha de pensamento do protagonista e algumas devido à sequência de cartas dirigidas a várias pessoas diferentes - apesar de normal, tive a sensação de se estar sempre a bater na mesma tecla. 

Gostei da capa, apesar de não ser das mais bonitas que já vi. Repito: não é para ser bonito. A capa está em concordância com o conteúdo, principalmente com o rebordo dos antigos postais, lembram-se deles?

É um livro que, como a Catarina do Páginas Encadernadas disse, poderia inspirar muitos. Isto na minha mais modesta opinião e enquanto estudante e futura psicóloga. Mas creio que, pelo que as cartas nos contam, ainda falta ao protagonista perdoar. Ter a capacidade de perdoar. Se é fácil falar sem conhecimento de causa? Sim, é. Se é dificil para quem está aí desse lado e poderá padecer do mesmo mal que Filipe? Sim, é. Eu sei que cada caso é um caso, mas eu já ouvi alguns casos e já li (e vi) algumas histórias semelhantes e o que sobressai é a forma como superaram os problemas. Diz-se que a escrita é terapêutica, por isso escrever parece-me ter sido uma boa solução... Parece, desde que não tenha sido para dar a "chapada de luva branca", pois isso só mostra que o protagonista ainda não superou como diz ter superado.Assim, volto a dizer: poderia ter inspirado, mas creio que ainda falta muito para o protagonista ter a paz de espírito no sítio certo.

E com isto, termino a minha opinião. Resta-me dizer que, apesar dos pontos negativos que apontei, é uma história verídica e que não deve ser ignorada. É por ignorarmos situações como esta que os traumas ocorrem, que as depressões se lhes sucedem, que o suicidio é visto como a única solução e a única escapatória de uma vida que nunca conheceram para lá do miserável... Mas relembro... Primeiro, não devemos olhar como "coitadinho, teve uma vida tão díficil e tal". Segundo, tudo tem duas faces. E nada é tão unilateral como se diz ser. Não estou a falar de culpas, estou a falar de perdão. E esse é um direito dado às vítimas. É um direito, é uma forma de seguir em frente. E é, acima de tudo, uma escolha.  Díficil, mas que traz com ela o sentimento de leveza.


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