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[Opiniões] - "O Pacto", de Gemma Maley



Podem ver a sinopse aqui

 
Opinião

Para começar a opinião, vou dizer que conheci este livro através do blogue Encruzilhadas Literárias, mas sinceramente já não me recordo do que li. Sei que me convenceu e isso foi o suficiente para me cativar e levar a comprar. 

A capa é simples – talvez, demais para o meu gosto, não entendi o tom rosa - mas contém uma borboleta e esse pormenor é-nos explicado a meio da história, do qual fiquei com inveja e roidinha, roidinha... Em relação ao título, gostei bastante e do subtítulo que o sucede também, “O Pacto - O Crime de ter Nascido” faz arrebitar os nossos sensores. O “pacto” é como se fosse um contrato (com o diabo), imaginem um contrato bancário, por exemplo. Só vemos as letras pequenas tarde demais e quando queremos dar a volta por cima, as dívidas são infindáveis, não sabemos onde começam e onde acabam. E mais não digo sobre isso. Quanto à sinopse, quem me lê já sabe que eu não sou um corta e cola, por isso, podem ler em cima, mas… longevidade ou descendência? É suposto ser uma escolha difícil? Compreendo que o seja, mas o que fariam vocês? E volto a chamar a atenção para o contrato-pacto e para as letras pequeninas de que falei há pouco… Uma pessoa pode escolher, tudo bem, mas e se fosse tarde demais?

A sociedade criada pela autora é, como tantas outras em livros do género, estratificada por classes; temos o exemplo dos Legítimos e dos Excedentes, sendo estes os que não deviam ter nascido e cujos pais violaram o Pacto. Creio que a estratificação e o sistema piramidal é um aspecto inevitável ao ser humano e que a autora satirizou. É a tal história de “os pobres ficam mais pobres, os ricos, cada vez mais ricos”. Neste caso, velhos e vivos por um período indeterminado. Quebrar o Pacto é “ir contra as leis da Natureza” e, claro, tem as suas consequências. Mas ninguém sabe muito bem quais, pois nunca ninguém se atreveu a contestar as leis. 

A autora poderia também ter desenvolvido mais o futuro que criou, pois eu sou uma apaixonada por cenários futuristas, principalmente sobre questões políticas – algo pelo qual nem sequer me interesso muito na época actual. Mas, se por um lado, gostaria de ter visto um maior desenvolvimento, por outro, compreendo por que razão a autora não o fez. Não se pode encher um livro com informações acerca de tudo e de todos. Seria mais palha (ou, vá, infodump) que outra coisa, para além de que é um livro com uma temática e uma mensagem específicas. Talvez ainda desenvolva a questão política no segundo volume. Veremos…

Quanto às personagens, gostei do que a autora fez. Criou uma Excedente totalmente submissa, Anna, e um outro completamente o oposto, Peter. Apesar de tudo, ambos têm um segredo… Mrs. Pincent, a directora de Grange Hal – o local onde eles se encontram – é uma personagem que, no final, fiquei sem saber o que dizer. Muitos segredos são revelados e uma pessoa fica indecisa! Não se faz! Não vou dizer que me chocou, mas criei empatia para com as personagens pelo que elas passaram. A violência a que eram submetidas, a privação de alimentos e de sono, os castigos por tudo e por nada… Afinal, os excedentes são um carrapato, são lixo. Calma! Na mente daquela gente, não da minha! 

Ia batendo com a cabeça nas paredes nas primeiras cem páginas. Repetições - todavia, contudo, no entanto - até dizer chega, upa, upa. Digo-vos, de bater com a cabeça nas paredes. Melhorou até ao final, mas de vez em quando lá se via repetições do género… Percebia-se a ideia que a autora queria transmitir, não era necessário de parágrafo em parágrafo colocar as mesmas palavras sem graça. Para além de ser cansativo para o leitor de ler, tirou-me o prazer da leitura porque já sabia o que ali vinha e estava sempre à espera de encontrar as palavras que me faziam revirar os olhos. Todavia, não era um encontro desejado.  

No final, como disse há pouco, muitos segredos são revelados, alguns parcialmente e que ficam para resolver no segundo volume, nem tudo corre como esperado, mas foi um bom final. Gostei e fiquei com vontade de ler o segundo a seguir. 

É um livro que, pelo seu género, é mais virado para um público jovem. Contudo, penso que pode ser uma leitura destinada a todas as pessoas. Afinal… Gemma Malley imaginou um futuro – um futuro possível, muito realista! Quem nos diz a nós que amanhã não será inventada uma fórmula que nos permitirá viver mais tempo? Eu acho fascinante pensar nisto… O que fariam vocês? Tinham filhos ou…?

Comments

  1. A ver se leio este mas a presença nunca mais se digna a publicar o 3° volume. -.-

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    Replies
    1. Pensava que fossem só 2 :O

      Delete
    2. Não são 3 e estes já saíram há algum tempo...e nada de 3º livro..na volta desistiram..

      Delete

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