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A realidade do nosso país... um testemunho para recordar.

Aconselho a, em seguimento deste post, verem o vídeo em baixo. É um testemunho comovente e brilhante de Joana Manuel, actriz, sobre a realidade do nosso país. 

O discurso está muito bem estruturado e tudo o que diz é acertado. A maioria pensa que, por ser actor ou actriz, o salário é muito bom - o que, por vezes, acontece - e que com um estalar de dedos conseguem ter o mundo a seus pés. Não é bem assim. Têm de enfrentar os tubarões dos bastidores, que exigem seca e meca, para chegar a terra, que é como quem diz, para chegar aos padrões por eles estabelecidos. Têm de enfrentar o público, que nunca está satisfeito. Verdade se diga, a representação já esteve melhor em Portugal e isso não é totalmente culpa dos actores, mas sim da gestão e direcção de programas (entre outros, que não sei especificar), pelo menos, em televisão. O teatro, falo por mim, muitas vezes não vou por falta de dinheiro e companhia mas, principalmente, porque nunca desenvolvi esse hábito. Isso, sim, é culpa nossa. Sim, pois deve ter havido um 'tempo' em que os bilhetes do teatro eram mais baratos do que hoje os vemos. Nunca incutimos aos nossos filhos, aos nossos primos, irmãos, vizinhos, amigos.  Pais e avós. E quando há dinheiro, um concerto ou um festival é melhor e mais compensador do que uma ida ao teatro. Porque os teatros e os actores esperam por nós, enquanto as bandas só cá vêm uma vez por ano, se tanto. E, por último, que já me estou a afastar do tópico, entre outras entidades referidas pela actriz, têm de enfrentar o Estado, que nada faz para segurar jóias como 'jovens empreendedores', que tentam fazer algo pelo país onde vivem, com os poucos recursos que têm e com as dificuldades acrescidas por uma entidade que nada faz, nem quer saber de deles [nós].

Ora vejam :)

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"Quando eu tinha 15 anos, se pensasse que iria esperar até aos 24 para ter o meu próprio espaço, eu ria-me. E hoje, aos 36, percebo que muitos da minha idade nunca tiveram o seu e muitos deles, entretanto, já o perderam."

"A dureza da vida e a precariedade fizeram dos nossos pais e dos nossos avós adultos antes do tempo. Os homens que nunca foram meninos; as meninas que já pareciam ter nascido mulheres (...) foi essa a realidade que me deu a rede que hoje me segura não poucas vezes, substituindo a rede que o estado me nega a cada dia mais."

"[o meu pai] ensinou-me a cantar que o povo é quem mais ordena e que havíamos de chegar ao fim da estrada, unidos como os dedos da mão..."

"(...)Apenas aquela mesma [rede de segurança] construída pela vida dura da minha mãe que nasceu mulher. Pelo esforço imensurável do meu pai, que nunca foi menino. E foi isso que eu percebi ao preparar esta intervenção. O que impediu os meus pais de serem jovens é aquilo que me cola à pele o epíteto. Jovem. É uma espécie de espelho invertido. Não sei se basta passar através dele como n'A Alice [no País das Maravilhas]. Um dia... vamos mesmo ter de parti-lo."


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Utilizo este programa há uns anos e só tenho coisas boas a dizer!

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