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"Novos Tempos" em Beta-reading

Novos Tempos

Página do goodreads e Sinopse aqui
Autor: João M. Silva
Capa provisória
Páginas: 232
Ano: 2013
Em processo beta-reading (ainda sem publicação)


Opinião
(a opinião não é referente ao produto final)

Li esta história em processo beta, o que significa que o livro ainda não está disponível e muitos pormenores poderão mudar até “Novos Tempos” ver a luz do dia. Obrigada ao autor pelo convite que me fez, adoro fazer o que faço quando leio em beta. O autor ainda tem muito que melhorar, mas nota-se que é humilde e aceita críticas com notória sinceridade. Isso é raro hoje em dia, mas apesar disso não lamento nada do que disse (embora me tenha custado ser exigente e ter dito algumas coisas que disse). Há sempre pessoas mais exigentes LOL

Estive indecisa sobre que cotação dar mas, uma vez que é em beta e pelas razões que vou especificar seguidamente, vou dar duas estrelas. Na linguagem do goodreads é um ‘it’s okay’. 

Em termos de estrutura, não tenho conhecimentos suficientes para ajudar o autor nisso, mas parece-me que tem um princípio, um meio e um fim, embora este não fique encerrado, o que nos informa que deverá existir um segundo volume. A história é contada na 1ª pessoa e é alternada com flashbacks e capítulos que centralizam outras personagens (Matias e Guilherme são dois exemplos). 

Dividiu a sociedade em três extratos sociais: Soberanos, Mensalinos e Excluídos e fez uma sátira genial à nossa sociedade. Este foi um dos aspectos que mais gostei neste livro. 

A componente ambiental também foi interessante de se ler; ninguém sabe o que o futuro nos reserva, mas com tantos impostos que temos de pagar, quem sabe se um dia não teremos mesmo de pagar para respirar?

Em termos de linguagem, o autor precisa de rever todo o manuscrito.
• variar nas expressões, 
• acertar algumas palavras que em determinados contextos perdem o seu real significado (“aquiescer”, por exemplo, o autor repete muito este verbo, o que nem sempre corresponde ao significado que lhe está inerente; “tenho a certeza” fica muito relativizado ao longo de toda a narrativa e cansa o leitor), 
• melhorar algumas frases (umas demasiado pequenas, outras que ‘acabam’ cedo demais…); 
• acertar os verbos nos flashbacks. 

Estes são alguns exemplos. 

Apesar de ser contada na 1ª pessoa pela personagem principal, Sara, não senti muita empatia com ela. Penso que existem algumas inconsistências. Gostava de a ter visto mais forte, mais respondona, mesmo tendo em conta o passado dela, mais determinada e que não se deixasse abater. De igual forma, a forma como tira conclusões precipitadas irritou-me um bocadinho. Às tantas, o leitor fica confuso, pois não sabe como ela chegou a determinados raciocínios. Este é outro ponto que o autor deve melhorar, uma vez que ele sabe a história, mas o leitor não, por isso precisa de preparar o terreno e preparar o leitor, caso contrário a informação cairá de pára-quedas e poderá confundi-lo.

Não sou expert na matéria, mas detectei muito tell nesta história e nunca o tinha conseguido fazer antes. Fiz as minhas anotações, não muito certa de o estar a encaminhar na direcção correcta. A ver o resultado quando o autor proceder a mais revisões depois das dicas dos leitores-beta. 

Outro pormenor que o autor precisa de melhorar é a questão das tecnologias. Sendo uma história distópica, houve imensos pormenores que falharam, que não acompanharam o desenvolvimento tecnológico e houve coisas que faltaram explicar de forma mais adequada e completa. Não estou a falar de descrições chatas e monótonas, mas apenas uma breve explicação da dinâmica de algumas coisas. 

Quanto à componente policial, gostei bastante de todo o mistério que envolve “Ele”, por diversas vezes pensei que fossem duas personagens, mas o autor não descortinou nadinha! Ah descortinou um e já o risquei da minha lista. Eu sou uma viciada por séries de mistérios e crimes, vi algumas parecenças com a serie Pretty Little Liars, mas pode ter sido só a minha imaginação a vadiar e a fazer das suas. “Ele” tem aliados, “Ele” tem olhos por toda a parte, “Ele” não vai descansar até conseguir aquilo que quer. E o que é? Não posso dizer; é spoiler. No entanto, as motivações que o movem embora não tenham ficado todas percebidas – só no 2º volume viremos a saber – estão bem definidas. É um antagonista com as motivações no ponto. Poderia era ser mais frio nas conversas que tem com Sara ao longo da trama. Para terminar, o epílogo fecha em beleza o primeiro volume. 

Ponto positivo para os capítulos pequenos e a forma como a maioria deles acaba. Dá vontade de querer ler o capítulo seguinte sem pestanejar!

Apesar de tudo, o autor tem aqui uma boa história – da qual gostei muito - que, se for bem revista e melhorada, poderá ser uma das melhores distopias portuguesas (se não a única até agora) e uma das melhores que já li (não li muitas, umas 7 ou 8). O talento está lá, precisa é de ser moldado. A minha cotação é do processo ainda não estar concluído e da escrita mecânica, dois pormenores que virão a ser modificados. Certamente que irei mudar, com as alterações que o autor fará e, nessa altura, irei actualizar a cotação e a opinião. 



25 de Agosto, 2013

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