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"Amores Contados", Antologia Alfarroba

Amores contados

Sinopse e Página do Goodreads, aqui.

Opinião
Fui à apresentação da Alfarroba para conhecer uma das autoras e acabei por comprar a antologia. Admito que foi mais pela curiosidade do que pela vontade. 
A capa, só gosto dela por causa da borboleta, acho-a muito saturada em termos de tons vermelhos, típico do amor. O título até percebo, mas a capa julguei que fosse mais fresca. Mas lá está, tentar não julgar um livro e o seu conteúdo pelo exterior é um desafio, por vezes, imposto ao leitor. 
Não me vou pronunciar relativamente à revisão ortográfica porque todos os que andam pelo meio estão carecas de saber como a coisa funciona. Os que não andam, a revisão podia estar estar melhor (mas não pode sempre?).

Quanto aos contos…

“Uma questão matemática” é o conto da autora que fui conhecer. Confesso que estava ansiosa por ler e um pouco medrosa do que ia encontrar. Não me desiludiu. É uma breve história que conta como uma relação não se pode dar como certa só com base no amor. Há que haver companheirismo, confiança, comunicação. O título ficou bem conseguido, porque de facto anda à volta de um problema: a satisfação sexual, a falta de desejo e incapacidade do marido em satisfazer a mulher, Elisabete, a nossa personagem principal. Como este casal, acredito que hajam muitos outros e que o final seja muito diferente. O conto foca-se nisso, portanto não se dispersa noutras direcções como um dos restantes contos (já lá vamos), e dá para estabelecer empatia com Elisabete. Ela ama o marido, mas a insatisfação sexual pesa muito na vida do casal. Um dos pontos que mais gostei foi a autora se ter baseado na escrita, colocou a personagem principal como escritora, com problemas, defeitos e qualidades. Dois pontos que não gostei, ou dificultaram a minha leitura, foram 1) a ausência de caracterização física, chamem-lhe mania, mas se não conseguir à partida ver a cara da personagem não consigo visualizar muito bem o resto e 2) a cena sexual – que já tinha referido à autora em conversa – da qual não gostei de uma parte. Torci o nariz a um diálogo. Mas lá está, não estou habituada a apreciar erótica. No final, a protagonista alcançou o seu objectivo, mas ficou em aberto. Uma relação constrói-se ao longo do tempo e vai-se alimentando, nunca, mas nunca dar como garantido. Um problema pode ficar resolvido, mas as contas nunca param de surgir. No geral, foi o melhor conto que li da antologia. 

“As fotografias falam baixinho” foi o terceiro conto que li, mas o segundo da antologia, digo isto porque eu não os li por ordem. Confesso que só a meio me dei conta da temática. Como o título indica a história incide numa fotografia e numa história contada através dela pela avó à neta. Ao princípio - e meti no goodreads - pensei que tivesse alzheimer, não retive esse pormenor (que vergonha!!) mas o que retirei foi que quando a capacidade cognitiva nos trai, uma fotografia pode/consegue evocar o melhor de nós. Aos poucos e poucos, quem sabe, se na realidade o processo não poderá ser colmatado com pequenos passos destes? Faz lembrar um pouco ‘O Diário da Nossa Paixão’, em que, por meio do diário, o protagonista masculino foi contando a história à esposa para tentar provocar nela alguma reacção, alguma evocação do passado. 

“Amor de Viagem” foi o pior conto que li. Se houve algo de amor nele, não consegui reter puto. Retive umas ‘facadinhas’, um padre, um lobo… mas foi só. Ah, 'perem, te m amor no título, mas não chega! Conto muito confuso e disperso. Só no final, consegui saber que era uma senhora que viajava, mas… wtf? Não percebi nada, a sério. A escrita também não ajudou, houve partes confusas. No fim da leitura, não consegui retirar um mote, como aconteceu nos dois anteriores. 

“Café Avenida” foi, juntamente com os dois primeiros, um dos contos de que mais gostei. O título que deu origem à história é o local onde se passa a maioria da acção. Retrata a desconfiança e traição no casamento e como, por vezes, a nossa imaginação nos pode levar por caminhos que não correspondem à realidade. Comunicação é a base de uma relação, aliás, de qualquer uma, não importa o tipo. Por momentos, pensei que o conto tivesse outro final que não aquele, mas… tudo fica bem, quando acaba bem… ou não. Decidam vocês, quando o lerem. 

Por fim, “Um, Dois, Três” é um conto sobre perda e superação/aceitação da dor (ou falta dela). Não fossem os problemas com os diálogos, ter-lhe-ia dado mais estrelas. Nunca vi a técnica narrativa (se é que o é), em que o diálogo é colocado no meio do texto, 
- Desta forma. 
para continuar neste parágrafo, sem ponto à frase do parágrafo anterior ao diálogo. 

Não sei se me fiz entender, mas que foi confuso ler, foi. Contudo, a temática puxou pela minha empatia e o princípio/final foi o que me puxou mais. Eu conto até três e tu voltas...


No geral, foi uma antologia interessante, mas que pecou por ter contos mais fracos (um bastante fraco, na minha opinião). 


1 de Outubro de 2013


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