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"A Melhor Quinzena de Um Século de Vida", de Vero Lua Melo

Esta opinião não foi revista. Qualquer erro, ignorem. Se não puderem ignorar, peço desculpa. Até me apetecer, não vou rever. *Que mazinha* :P
A Melhor Quinzena de hum Século de Vida
Título: A Melhor Quinzena de um Século de Vida
Editora/Edição: Chiado Editora/ Setembro de 2013
Páginas: 366
Sinopse: Goodreads
Opinião

O livro foi-me emprestado pela Soraia, autora do livro Ligação. A sua opinião expressa bastante bem o que senti ao longo das 125 páginas que li das 366 que compõem o livro na sua totalidade.
Assim que o livro saiu, a capa e a sinopse atraíram a minha atenção. E mesmo depois de ter lido duas opiniões negativas, apaguei-as da minha mente. Que eu era masoquista, isso eu já sabia, mas às vezes a panca é maior e eleva a fasquia.
Este livro conta a história de Amália, que acaba de ficar desempregada e tem a oportunidade de passar 15 dias a viajar, começando por Nova Iorque. Durante a viagem conhece Eurico, um português oriundo de Coimbra.
Bom, do que eu li – e ressalvo que li até à página 125 e passei para o final e já vou explicar porquê – o livro conta como uma série de acontecimentos levou a protagonista ao climax, que não é climax nenhum, que é conhecer o amor da sua vida. Basicamente este livro assemelha-se a um How I met your mother – neste caso, grandfather português, isto porque em 2081 Amália conta aos netos a história da melhor quinzena que teve em toda a sua vida, quinzena essa que vai culminar na descoberta do marido/avô. Só que ao contrário da série, o livro é uma autêntica seca. Isto, porque ao carácter de HIMYM junta-se as características de um autêntico mini-guia turístico e Cultura geral básica para totós.

Se a essência da história era dar a conhecer como o destino já está traçado e em como uma série de acontecimentos sem ligação se interliga no final, a essência foi alcançada. MAS… fê-lo de forma correcta? Fê-lo de forma a cativar o leitor? Não, não fez.

Para já, este livro tem sérios problemas: (1) infodump (o tal guia turístico que não acrescenta nada ao objectivo supremo da história); (2) purple prose, o livro teve boas frases e que me prenderam, mas um livro é mais do que umas quantas boas frases; (3) conceitos mal aplicados - ‘saborear a vista’?, e esta nem é das piores; (4) worlbuild mal desenvolvido – mas já lá vamos; (5) revisão – vírgulas em falta que é uma coisa doida; o resto eu perdoo porque sei o quão difícil é rever um livro, mas vírgulas? Não. Por exemplo: Ouviste Amália? – Isto Significa que está a perguntar à Amália se ouviu (seja lá o que for) ou está a perguntar a alguém se ouviu Amália, como quem ouviu Simone de Oliveira e outras artistas portuguesas? Uma vírgula faz toda a diferença. Este exemplo foi inventado por mim, nem me recordo sequer se está no livro.

Espaço temporal
Porquê situar o livro no futuro com um retrocesso de 70 anos? Isto prende-se com o worlbuild porque falou em robótica e em alguns avanços tecnológicos (biónica). Apesar deste cheirinho a FC, nada mais foi desenvolvido neste ponto…

Espaço Físico
À parte das informações turísticas, pouco vi de Guimarães – ressalvo, até à página 125. De outros locais, idem. Muito para trás e para a frente, vira a esquina, corta a esquina, passa a passadeira e bla bla bla. Seca… Palha. Não consegui reter nada. A autora tem uma boa escrita, quando não está a florear ou a tentar escrever demasiado bem. Se se mantiver num registo simples, conseguira cativar mais o leitor. A prática – e a leitura - fará com que a escrita progrida por si só.

Diálogos/Personagens
Amália. Eurico. Pais de Amália. E foi só o que li até à página 125, não contando com os figurantes. Pouco desenvolvidas e a linguagem usada era muito idêntica. Eurico era de Coimbra, Amália de Guimarães. Mais um ponto que a autora tem de ter em conta nos próximos romances: evitar os regionalismos. Os betas ajudam bastante, portanto é favor de os usar.
Evitar os ‘ehehehehe’. Palha. Se quer dar ênfase, aprenda a fazê-lo da forma correcta.
Evitar os ‘Euuuuuuuurrrrrrriiiiiiiiiiccccccooooooooo’. Fica feio.
Evitar os ‘chiça’, ‘xiiiii’ e coisas assim. Eles têm ambos 30 anos, certo? Ou estamos a lidar com adolescentes com as hormonas aos saltos? Eles é que pareciam que andavam dopados com saídas destas, mas enfim este foi um devaneio meu.

Informações
Pergunto-me a razão do guia turístico integrado neste livro? Se o objectivo era dar a conhecer a relação de Amália e Eurico e de como Amália conheceu o amor da sua vida, para quê? Foi palha. Pode ser interessante, mas da forma como a autora fez tornou-se cansativo. Demasiada informação para tão poucas páginas. Eu queria saber mais sobre as personagens, não o que elas andavam a visitar – que, aliás, eu própria se me tivesse sentido curiosa teria ido verificar se tais informações não existissem. À parte disso, fixei as informações despejadas sobre os monumentos visitados? Não, lamento. Às tantas, já bocejava. Parecia um retorno às aulas, durante as quais adormecia. Evidentemente que durante o ensino básico e secundário, tinha de gramar com elas. Hoje em dia, já não, daí que tenha desistido da leitura.

Por se situar no futuro, a autora tentou criticar a sociedade relativamente à fé e à dependência que a população deposita nas tecnologias; um dia elas virar-se-ão contra nós. Algo tão cliché como isto. Esperava mais. A juntar a isso, a amargura com que impregnou as primeiras páginas não foi uma boa forma de cativar o leitor. Se não ia explorar a parte futurista, para quê situá-la em 2081? Porque não situar Amália com 100 em 2011 e contar a quinzena em meados de 1941? Aliás, nessa década a autora não tinha informações como o 11 de Setembro para escarrapachar no livro, mas tinha muitas outras com uma importância histórica mais relevante – não fosse a época da Segunda Guerra Mundial e da interferência dos EUA na mesma, por exemplo. Mas adiante.

Politiquices. Pobreza. Crítica aos políticos? Check. Crítica à pobreza do povo? Check. Má execução em ambos? Check.
Por exemplo, duvido que os finlandeses tenham uma ideia tão errada de nós, povo, de nós, país. Por muito pobres que sejamos, duvido que eles – e outros da Europa - nos escolhessem para passar férias ou para vir fazer Erasmus. Just sayin’. A autora pode ter ouvido isso por experiência própria – ou não ter ouvido de todo – mas extrapolar é um erro de principiante que não deverá continuar a fazer.

Final
Nunca vi um final tão mau, tão apressado, tão sem ponta por onde se lhe pegar. Eu queria tanto spoilar… olhem, que se lixe. SPOILER Depois da viagem de 15 dias, voltam de novo às suas vidinhas em Guimarães e Coimbra e depois Amália deve correr atrás do Eurico – digo deve porque não li – e dizem-lhe que ele morreu atropelado. Depois conhece um rapaz e apaixonam-se. E pronto, é isto o climax da história. O final é a avó Amália a dizer aos netos ‘agora já sabem porque foi a melhor quinzena da minha vida’ ou algo assim. Se eles souberem, dou-lhes um doce, porque eu não sei. Depois da viagem e de ter casado, pergunto-me como terá sido o resto da vida, para aquela ter sido a melhor quinzena que teve em 100 longos anos. FIM DE SPOILER Perceberam? Enfim… lamento mesmo ter desistido, mas estou farta de perder tempo com leituras que em nada acrescentam ao meu repertório.

P.S. Quanto à fórmula da vida eterna, só depois de voltar a reler as opiniões que estão no goodreads é que me lembrei dela, por isso só prova - infelizmente - o insucesso da autora em cativar o leitor.
30.01.2014
0,5*

Comments

  1. Nem me tinha chamado a Atenção e agora muito menos...

    ReplyDelete
    Replies
    1. Mafi, Mafi :(
      o que deves pensar tu de mim? Ando a cascar nas opiniões de todos os livros que leio. Não falha um. Mas efectivamente foi o que eu senti e não há como contornar isso :( Espero que a autora leia e aprenda com a crítica. E aliás se fosse a única crítica negativa... ainda se compreendia. Mas não é. Existem outras que focam quase os mesmo pontos, por isso a autora terá de repensar um bocadinho na forma como escreve e expõe o plot e o enredo.

      Delete

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