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"Urbania", de Carlos Silva

Urbania
Título: Urbania
Editora/Edição: Autopublicação - Smashwords/ Fevereiro de 2013
Páginas: 130
Sinopse: Goodreads

De salientar que não me considero uma opinadora intensiva/detalhista, que opina sobre cada ponto que não gostou. Primeiro, por muito masoquista que seja, não chego a esse ponto, o de desmembrar exaustivamente cada elemento que tornou a leitura negativa/cansativa ou positiva/atractiva. Segundo, porque tenho uma péssima memória e mesmo que quisesse levaria meses para ler e outros tantos para analisar. 
Este livro provocou em mim um sentimento de frustração que há muito não tinha. Desde Perdidos (Rute Canhoto) que não sentia vontade de atirar com o livro – neste caso, com o kobo, por ser ebook – contra a parede. É que nem n’A Herdeira Acidental, lido também este ano e ao qual atribui 1*, senti isto. 
Talvez não tenha alcançado o cerne da questão e o que o autor quis transmitir com esta história. A ideia é interessante – uma cidade móvel sobreposta a Lisboa. Depois desta premissa, tudo se resume a uma palavra que aparece a meio do livro: esquecimento. E ainda outra que aparece lá para o final: tédio. 
Não quero dar numa de entendora, quando não é isso que se trata. Não quero dar numa de crítica feroz, quando é evidente que não o sou. Guio-me pelo que sinto e isso é como uma faca com dois gumes; por mais que não queira 'ou é sim ou sopas’.
Disseram-me que o livro melhora a partir da página 50. Melhora, sim. Tal não significa que seja menos insuportável. Foi um martírio. A cada dez páginas tinha de fazer uma pausa. 
Por que razão continuei a ler? Tive sempre a esperança de que melhorasse. Sei lá eu porquê. Manias, talvez. 
Lá para o meio, vemos um casal que se apaixona loucamente, cujos nomes me falham… Inês e…? Senti esta paixão descrita? NÃO! Será isto o Tell vs Show? Sou péssima a identificá-los, mas o facto de não ter sentido nada, nem com esta paixão à la Romeu e Julieta Versão Cidades Sobrepostas, nem com qualquer outra personagem que fosse, faz-me pensar se é o tal tell ou não. Enfim… 
Vemos lobos, vemos chaves, vemos portas, feiticeiros (?)… Fuuuuu. Confuso! 
A história peca por ser pouco desenvolvida, ter pouca informação de base, em que se parece que se cai de pára-quedas. As partes interligam-se a tarde e a más horas… Os diálogos são apressados, alguns pouco naturais, e os que vi em duas ou três falas estavam arrumados. Descrições muitas, algumas que não acrescentaram nadinha de nada e que formaram grandes blocos de texto sem parágrafos que pioraram ainda mais o meu humor e a minha paciência para a leitura. 
Deixou-me exaurida. Totalmente. 
Disseram-me também que mexe com simbologia, e eu gosto de simbologia. E ressalvo que gostar não lhe tem inerente o ter conhecimentos de. Neste livro, não percebi quase nada. Talvez a minha pouca concentração devida aos exames não tenha ajudado, mas um dicionário ou uma nota prévia do autor talvez ajudasse o leitor, não sei. Ou, na melhor das hipóteses, talvez o preparasse. 
O ebook precisa de uma nova revisão, uma nova esfrega. Sei que não é fácil em auto-publicação rever e rever e rever, mesmo tendo ajudas externas. Contudo, ‘enquanto que’ e ‘sendo que’ são expressões que não existem. Contra mim falo, que tambem lá vou usando o ‘sendo que’ e outras tantas que assassinam a nossa língua. Contudo, penso que é a apontar estas pequenas - grandes? - falhas que se melhora. 
Fora os erros, penso que o autor ganharia mais se deixasse amadurecer a sua escrita. Houve lá boas frases que me fizeram ficar presa à leitura, mas no todo digo que era um 10 para 1, sendo o 10 (páginas que se mastigaram) e 1 (páginas que se comeram bem). Lamento esta triste analogia, mas esta leitura deixou-me mesmo... sem ponta de inspiração para algo melhor. Esperava gostar mais. Não, não. Esperava gostar, o que não aconteceu, obviamente. 
Deixo aqui algumas perguntas, uma vez que não retive nada:
Como surgiu a Cidade Móvel?
Como surgiram os lobos?
Para que público-alvo é esta história?
Tinha outras, mas entretanto foram-se-me todas da mente. É pena. Talvez um dia lhe volte a pegar e leia com mais atenção. 

21.01.2014
1*

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