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"Entre o Agora e o Nunca", de J.A.Redmerski


Entre o Agora e o Nunca (The Edge of Never, #1)

Opinião

Em primeiro lugar, quero agradecer à Editorial Presença e ao blog Sinfonia dos Livros (e já agora ao Mr. Random) pela oportunidade de ganhar este livrinho. O primeiro em muitos meses e logo teve de me calhar um assim :D
**
- Estás bem? 
- Estou.
**
- Estás com ar triste.
- Não, é apenas cansaço.
**
Estes exemplos não figuram no livro, são apenas para ilustrar algo que pretendo explicar. Estas são duas das mentiras que mais ouvimos e que mais dizemos. Bom, a segunda é apenas uma meia-verdade, no sentido de que pode ser cansaço mas não é somente isso. A tristeza está lá, bem visível, tanto que se torna transparente, como um reflexo num lago. A dor é um dos sentimentos mais extenuantes (?) que o ser humano pode ter. Juntamente com o amor, mas ao invés do anterior este pode arrebatar-nos no bom sentido – e, pronto ok admito, também no mau, onde se inclui a dor. É disto que este livro trata, principalmente de dor e de amor, uma mistura explosiva. Mas… antes que afugente possíveis leitores – o que seria uma pena – é um livro que nos faz sentir tudo – mesmo tudo – no bom sentido.
É um livro com comédia, li algures que a Camryn e o Andrew eram hilariantes juntos e isso faz jus ao quanto eles me fizeram torcer de tanto rir. É um livro com erotismo. É um livro com tristeza. Fala sobre família, primeiro amor, perda e superação, erguer a cabeça e continuar em frente. Sair fora da caixa, viver e não apenas existir num mundo onde todos fazem o mesmo. É um livro que nos mobiliza a apreciar as mais belas e simples coisas da vida, como a música (banda sonora fantástica, ainda não a ouvi toda, mas adorei as músicas que ouvi!).
Camryn – adoro o nome! – decide meter-se num autocarro e mal sabia ela que seria a viagem da sua vida. Às vezes sou como uma balança, tanto acredito no destino como sou muito céptica, depende do humor e, às vezes, nem sei sequer o que pensar. E, sim, estou consciente de que se trata apenas de um livro, mas existem muitos acontecimentos na vida real que me fazem pensar o mesmo.
Com Andrew, desde o início, sabemos que algo se passa, mas – e foi algo que adorei e fez ponderar a balança para as 5* - nunca, em momento algum, vemos as premonições que por vezes outros livros têm, como ‘mal ela/e sabia o que ia acontecer’ e tiradas cliché do género. Agradou-me, porque fez-me apreciar tudo na medida certa sem me preocupar muito com o que iria acontecer no final, ou ficar aborrecida por cair na mesmice de outros livros.
Um ponto, entre muitos, super positivo foi ter os dois POV, ambos na 1ª pessoa, dos protagonistas. Estar dentro da cabeça de uma rapariga e ver a situação pela cabeça e olhos de um rapaz (homem, vá, de 25 anos), é brutalíssimo! Fartei-me de rir. 
E agora a pergunta da praxe que este livro nos traz: quem já pensou em enfiar-se num autocarro e partir sem destino? Com filhos, sem filhos, com trabalho, sem trabalho, a estudar ou sem quaisquer perspectivas de futuro? Eu já. E não o faço. Porquê? Maldita sociedade. Será mesmo? Quem se admoesta por ainda fazer caso do que as pessoas pensam de si? Eu sim. E, julgo que continuarei a fazê-lo, não sei. Tento cada dia fazê-lo um bocadinho menos. Mandar às urtigas – para não dizer pior – certas pessoas, certas situações, certas palavras que nos dizem. Sabe tão bem! Mas depois volta tudo ao mesmo…
Este livro só tem um problema: a tradução. Vi repetidas vezes ‘lugar-comum’ e é apenas um entre muitos casos. Eu sei que sou ignorante, mas não me fez sentido. Será que era ‘cliché’ e traduziram a maldita palavra? Pelo sentido de muitas frases, eu diria que sim. Contudo, não vou meter as minhas mãos no fogo que elas já estão demasiado massacradas pelas frieiras.
A relação de Camryn e Andrew, outro ponto do qual gostei, não foi instantânea. Não foi um ‘olá, prazer em conhecer-te, posso saltar-te para cima?’. Não. É certo que pouco tempo decorreu entre o primeiro olhar e o primeiro beijo e etc, mas o tempo e o conhecimento que travaram um sobre o outro valeu por muitos meses, na minha opinião. Quando se partilha o que estes dois partilharam, num tão curto espaço de tempo, é impossível não criar um nível de intimidade assim.  
Outro dos pontos que mais gostei – e vai um bocadinho de encontro ao das premonições – é que ambos têm um passado com… um passado que os danificou. E, atrevo-me a dizer que um presente também (que depressa se torna passado). Apesar de sentirmos isso, não há o drama que nos faz chorar como madalenas arrependidas (ou 'manueis' xD ), não há aquele peso constante que nos sufoca sem ar. Aliás, eu estive praticamente com um sorriso durante o livro todo. 
Gostaria de ficar aqui a dissertar sobre esta história, mas não posso. Só digo que me deixou mais pequenina e, ao mesmo tempo, me engradeceu. Foi uma honra ter lido esta história apaixonante. Mesmo.
Até metade do livro, pensei constantemente no que iria encontrar, se iria ficar arrebatada como os restantes leitores de forma a conseguir finalmente dar 5* - algo que não me acontece há muito. A partir do meio, deixei de pensar. Aprofundei a leitura, deixei de contar as horas, as páginas, os capítulos... 'Entre o Agora e o Nunca' é um livro, sem dúvida, apaixonante. Um livro que eu gostaria de 'nunca' o ter terminado. Infeliz, ou felizmente, agora tenho 'sempre' o segundo: 'Entre o Agora e o Sempre'. Venha ele. 


"Andei algum tempo na faculdade, até que, um dia, sentei-me e disse a mim próprio: Andrew, que raio estás tu a fazer aqui? Então fez-se luz na minha cabeça e percebi que não estava lá por ser o que eu queria, mas por ser o que as pessoas esperavam, incluindo pessoas que eu não conhecia, a sociedade. Por ser o que se faz. As pessoas crescem, vão para a faculdade, arranjam emprego e fazem a mesma merda todos os dias, para o resto da vida, até envelhecerem e morrerem. (...) Nunca fui verdadeiramente feliz a fazer nada..."


"As melhores amigas, independentemente do que façam ou por muito que nos magoem, é precisamente por serem as nossas melhores amigas que ter problemas com elas nos faz doer tanto. E nenhuma de nós é perfeita. Os erros foram feitos para serem perdoados pelas melhores amigas; é isso que oficializa a amizade."

8.02.2014 
5*

Comments

  1. QUERO LER *.* (ando mesmo a leste -_- shame on me)

    ReplyDelete
    Replies
    1. Se queres, lê :P
      Confesso que em Janeiro li por A) fugir aos estudos; adiá-los deve ser o meu hobby preferido e B) porque me obriguei. Depois de dois ou três, a vontade voltou em força.
      Agora ando com um (erótico) que anda a deixar a cabeça em papas, não sei ainda se gosto ou não e a leitura está muito lenta, mas continuo a ler todos os dias um bocadinho.
      Shame on you, toca a ler :D

      Delete

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