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"Ligeiramente Perverso", de Mary Balogh

Ligeiramente Perverso (Bedwyn Saga, #2)

Opinião

Este mês parece ter sido dedicado a romances de época. Ainda não acabou e já conto com sete no meu repertório, sendo Ligeiramente Perverso o último lido e o primeiro a ser opinado. Ando com preguiça de escrever as restantes…
Lembro-me de que Ligeiramente Casados, o 1# da saga Bedwin – não contando com a prequela – foi o primeiro romance de época estrangeiro em que pus os olhos. Dei 5*. Hoje, provavelmente, seria mais contida a dá-las, contudo, eis o que escrevi nesse livro:

Sou novata nestas andanças de atribuir estrelas. 
O que nos impele a atribuir 5* a um livro ou 2* a outro? E da mesma forma que um livro é cotado de 1 a 5 por diferentes leitores? São perguntas que prefiro deixar em aberto, até porque não tenho uma resposta conveniente nem satisfatória. 
Tenho tentado saber mais sobre o que me faz discriminar os livros com estrelas. Não olho para os livros - nem os analiso - com um olhar crítico, como muitos leitores ávidos fazem, inclusive pessoas formadas em Literatura. Tento olhar, mas sei que não o faço. 
Sei apenas o que sinto durante a leitura e, feliz ou infelizmente para alguns, tenho-me baseado nisso. Não nos termos técnicos, não nas personagens nem na dita estrutura. Talvez a escrita, desde que me envolva na sua teia. Ainda estou para descobrir. 
Quanto a este livro, apenas sei o aperto com que fiquei. E foi um aperto que senti poucas vezes desde que recomecei a ler em Abril de 2012 (não será por acaso que só tenho seis livros com cotação de 5*, mas para dizer a verdade 6 em 131 ratings não são nada. Tenho muito tempo para aprimorar a experiência na arte das 5*). Neste aspecto, foi um aperto bom. 
Chamem-me tola, lamechas, já estou por tudo, mas as últimas 15 ou 20 páginas foram passadas num pranto. Que posso eu fazer? As lágrimas caíram-me em cascata e não estou a brincar. Por isso, e porque só os livros que me fazem sentir assim mereceram as ditas 5*, atribuo cotação total a este livro. Pode não ser perfeito, aliás em termos de tradução e revisão não é - confusão com os verbos puder e poder, por exemplo - mas o que me envolveu pode-se dizer que chegou perto do 'perfeito'. 
Um dos melhores deste ano, sem dúvida.”


Com este 2# o que descrevi em cima não aconteceu. Não chorei feita desalmada, embora seja também verdade que tenho mantido um maior controlo das minhas emoções…
Começo então por referir o que me levou a ansiar pela leitura deste volume: o título – e por pertencer à saga a que pertence, claro, visto que o 1# roubou o meu coração. Ligeiramente Perverso é um título que me deixou muito à imaginação – poderão censurar-me? Ahah – no entanto, o conteúdo pouco ou nada tem de perverso, na verdadeira acepção na palavra. É igualmente verdade que foi só ligeiramente… enfim, trocadilhos à parte, este volume foca-se em Rannulf Bedwin, o segundo na linhagem do Ducado de Bewcastle, e Judith Law, uma deusa de cabelos vermelhos que nada mais faz do que camuflar a sua beleza.
É verdade que nos séculos passados culpavam as mulheres pelo interesse que suscitavam nos homens – e em certos locais continua a existir actualmente, em pleno século XXI – como se elas tivessem culpa de eles serem uns parvalhões sem maneiras e pensarem com a cabeça de baixo. Ups… não foi nada correcto dizer a verdade de uma forma tão directa, mas agora já está. Claro que em todas as épocas existem homens e existem cavalheiros e o que distingue uns dos outros, apesar de ambos pertencerem ao mesmo sexo, é o respeito que detêm pelo sexo oposto por muitos pensamentos libidinosos que possam ter.
Judith Law é mais do que a bela mulher que aparenta à primeira vista. É uma autêntica cebolinha, cheia de camadas por tirar até chegar ao centro. É destacada da – e pela – sua família para fazer companhia à avó paterna, Mrs. Law, uma senhora encantadora, btw, mas que merecia ter sido mais realçada – se calhar até o foi na prequela e eu estou para aqui a falar… 
Então, Judith vai para casa de Lord e Lady Effingham – esta última irmã do seu pai, filha de Mrs. Law e, como tal, sua tia, abraçando o papel de serviçal subserviente. A sinopse foca a noite que Judith e Rannulf passam juntos antes de cada um se dirigir para a casa das respectivas famílias e de aceitarem o seu destino. Rannulf tinha como objectivo cortejar uma candidata, escolhida pela sua avó que desejava vê-lo casado. Penso que o facto de a autora ter dado a Lord Bedwin a função de cortejar Miss Effingham, a prima de Judith, se prolongou demasiado. Foi uma corte muito superficial, mas pareceu-me que se arrastava por páginas e páginas. Rannulf foi um candidato à altura de Judith, se bem que em todo o livro faltou mais paixão, mais proximidade, mais… picanços. Talvez mais química entre os dois. Queria mais deles os dois, dos protagonistas. E não, não estou a falar de sexo.
Houve personagens que me apeteceu bater-lhes, inclusive a Judith. Parecia que não parava com o raio do rabo sentada, sempre a fugir de um lado para o outro. Credo.
Uma ponta que me pareceu que ficou por atar foi o dom de Judith. SPOILER: ela sabia representar, representou duas ou três vezes durante o livro, mas no final não se vê uma resolução para essa paixão. É certo que existem mais quatro livros, um para cada irmão solteiro que resta da prole, mas esperava sinceramente que a autora tivesse encerrado este livro, mencionando esse pormenor. Claro que nestes livros o happy ending está sempre garantido, não obstante um susto ou outro que acabamos por apanhar, mesmo cientes desse facto.

Apesar de tudo, foi uma leitura agradável. Aguardo ansiosamente pelos restantes e, especialmente, pelo do Wulfric, o actual Duque de Bewcastle – infelizmente ainda tenho muito que esperar… visto que é o 6# da saga… 
24.03.2014 
3,5*

Comments

  1. Olá!
    O primeiro romance que eu li foi One night for love da MB, e fiquei impressionada com a sensibilidade de sua escrita, com personagens tão vibrantes. A forma como ela vai conduzindo os acontecimentos nos faz torcer, a cada página, pelo final feliz.No decorrer da leitura, você vai percebendo o quanto o casal amadurece e seus sentimentos se fortalecem. Você começa suspirando e termina com um sorrisinho do tipo:"lindo!". livro espetacular, leiam povo! oh aqui: http://portugues.free-ebooks.net/ebook/Ligeiramente-Casados

    bjs

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