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"Sonhos de Papel", de Ruta Sepetys

Sonhos de Papel

Opinião

Assim que li a sinopse, imaginei mil e um cenários. A sinopse engana, faz parecer mais do que é... 
Não gostei da escrita; não gostei do rumo da história, gostei do título mas forçado (apenas porque a protagonista trabalha numa livraria - facto, uma vez mais, forçado), não apreciei muito o final. As personagens pouco desenvolvidas, todo o meio envolvente pouco desenvolvido. Sim, estou a repetir-me. Já disse que não gostei? Já. Oh bem... Foi uma desilusão.
**

Em relação a livros da ASA, ou é 8 ou é 80, ou adoro e dou 4* ou 5* ou vai corrido a 1* - impressionante! O excerto de cima foi o que escrevi no goodreads, agora mais pormenorizado:

Título
Dado que o original é Out of the Easy, penso que foi uma má decisão da ASA traduzir para Sonhos de Papel. Suspeito que tenha sido porque a protagonista vivia rodeada de livros e trabalhava numa livraria (segredo muito complicado de desvendar, cof, cof) – pormenor que está na sinopse, portanto não é spoiler – fazê-lo só por isto foi um excelente golpe de marketing porque o título é apelativo, mas foi, a meu ver, enganador. O original acerta na mosca no cerne da questão em que este livro se centra. Já o português faz crer numa história cor-de-rosa, de esperança – de certa forma até é…

História
Pegando na continuação do ponto anterior, o original acerta mesmo no principal da história. A acção decorre durante as décadas 40/50, sensivelmente. A sinopse portuguesa nada fala sobre isso, poderia ter tido esse cuidado pois faz-nos pensar que ocorre nos dias de hoje. Nada tenho contra histórias desta época ou até anteriores – até têm sido as minhas favoritas - apenas pareceu-me pouco correcto não ser mencionado. Estive a ver uma sinopse em inglês e menciona esse dado. Não entendi por que razão a ASA simplesmente não o fez. Continuando, fala-nos de Josie, filha de uma prostituta, que tenta fugir da vida que a mãe leva. É a típica jovem, com sonhos e vontade de ser alguém, ser mais e ser melhor. Depois da primeira morte ocorrer, é o descalabro... 

Escrita
Tenho sido um bocadinho exigente neste ponto. A narração faz-se na primeira pessoa – do POV de Josie – e falha alguns pormenores. Existem poucas descrições e sendo a acção em Nova Orleães poderia ter sido mais aproveitada para nos falar de pormenores locais – se falou, lamento, mas passou-me ao lado. Também a descrição das personagens, locais interiores foram fracas ao ponto de decorrer muito depressa – para uns pode assemelhar-se a um ritmo de leitura vertiginoso; para outros, como eu, pode assemelhar-se a uma leitura pobre...

Personagens/Meio envolvente
Existe uma variada gama de personagens – desde as meninas do bordel de Willie aos jovens que fazem parte da vida de Josie e até membros da máfia, cujos nomes já não me recordo. Infelizmente, são todas pouco desenvolvidas. Não houve espaço – nem tempo – para se criar empatia com nenhuma. Isto foi o que aconteceu comigo. Houve mortes – como bem revela a nossa sinopse portuguesa e não vou dizer quem morreu, atenção – a segunda justifica-se, mas a primeira e a terceira? Que raio foi aquilo? A autora, no meu parecer, quis criar conflitos e dramas onde eles não existiam. Para sensibilizar o leitor? Sei lá, mas não resultou. O destino dado a outras personagens, como o filho da livraria (mais uma vez o nome foi-se-me), também me pareceu forçado. É difícil não spoilar, e não quero com isto convencer ninguém, porque há gostos para tudo. E eu não consegui gostar.

Temáticas
Já há pouco falei no cerne da questão. Havia tanto por onde pegar. Havia Nova Orleães – e, perdoem-me, em termos históricos pouco sei sobre esta zona na década de 50 – havia a máfia, as drogas, a prostituição, os livros (que mesmo estando um bocadinho desenquadrados poderia ter-se apostado mais neste tópico) e, atrevo-me a dizer, alzheimer. A autora não me soube tocar, não me soube prender, não soube aproveitar o que de melhor colocou nesta história que eram estes tópicos. Tudo bem, sou só uma leitora, mas se isto foi o melhor que conseguiu fazer, o melhor não chegou para mim. Não neste livro.

Final
Já falei em cima que não gostei do final de algumas personagens – e isso acontece com todos os leitores, em todos os livros. Há sempre um final com o qual não concordamos, sei disso perfeitamente. Neste caso, não se trata de concordar. Até concordo – com a maioria – mas não me soaram credíveis e até me pareceram apressados demais como, aliás, o resto do livro. Referi em cima que a capa e o titulo faz parecer a história demasiado cor-de-rosa e Josie é uma personagem muito doce, ainda uma menina a tentar vencer na vida e com o desejo de mudar o mundo, cheia de sonhos. Acho isso muito bem. Acharia, SE – lá está o malvado! -  autora tivesse equilibrado com as outras temáticas; gostaria de ter visto mais terror (c’mon… máfia? Drogas? Prostituição?); gostaria de ter visto mais da vida noturna; mais acção; mais… mais. Talvez não fosse esse o objectivo da autora – nem o da história em si – mas isto é o que eu valorizaria para dar mais estrelas. Dado que o livro não me soube prender e até foi secante em algumas partes, levou 1 estrelinha e mais não consegui dar.

05.03.2014 
1*


Comments

  1. Não sei como foi isto possível. Sou autor de um livro editado com este mesmo nome há dois anos.
    Confirmem: "sonhos de papel" de Paulo Tavares, editado em maio de 2012, pela editora vieira da silva

    ReplyDelete
  2. Não sei como é que iso pode acontecer, mas o que é faco é que aconteceu. Sou autor de um livro com este mesmo título, editei-o há dois anos. Confirmem: "Sonhos de papel" de Paulo Tavares, editado em maio de 2012, pela editora vieira da silva.

    ReplyDelete
    Replies
    1. Olá Paulo :)
      Não é comum, mas acontece. De qualquer forma, o que distingue (para além do autor e editor e etc) é o ISBN.

      Delete
    2. Cara Ivonne: Como deve compreender, estou a fazer esforços por me inteirar juridicamente desta situação, e deixo-lhe um alerta que a SPA me deixou a este respeito:

      Todavia, cabe-nos referir o seguinte, dispõe o artigo 4º n.º 1 do CDADC (Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos) que: "A protecção da obra é extensível ao título, independentemente de registo, desde que seja original e não possa confundir-se com título de qualquer outra obra do mesmo género de outro autor anteriormente divulgada ou publicada."

      Resulta do supra citado artigo que a protecção de uma obra literária ou artística abrange, necessariamente, o respectivo título, desde que tenha carácter original, ou seja, que resulte do esforço criativo do autor, que seja caracterizado por uma individualidade própria, e que não seja susceptível de confusão com o título de uma obra preexistente do mesmo género.
      Peço desculpa pela resposta longa.
      Abraço
      Paulo Tavares




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