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"A Vigança do Lobo" - Vítor Frazão

A Vingança do Lobo

Opinião


O livro foi-me emprestado pela Ni, administradora do Tertúlias, com o qual fiquei durante dois anos (se tanto!)… Acho que não estava virada para a leitura e depois de ler certas opiniões – e de ver os ratings – a vontade ainda diminuiu mais. Sem querer entrar em pormenores, de há alguns meses para cá tenho-me guiado pela minha vontade e lixado, falando português e bem, para as classificações. Uma vez que são pouco precisas – principalmente no que toca a livros portugueses – e dependem de muitas variáveis, o instinto, digamos assim, tem-me servido bem. 

De forma a não prolongar esta opinião, tenciono ir por pontos para ver se não me esqueço de referir os tópicos que me fizeram gostar tanto deste livro. 

Estilo de escrita
Sinceramente, não estava à espera de gostar tanto. Tinha ouvido dizer – mais uma vez, deixei de ligar a isto – que era erros a torto e a direito, vírgulas mal colocadas e etc. Bom, é verdade, mas isso por si só não define o estilo de escrita. A falta de revisão, no entanto, já é outra história. 
É um estilo bastante visual que reflecte as influências do autor – não só no estilo como no conteúdo, se é que me faço entender, - dando especial foco às influências japonesas. Para quem gosta de anime e/ou manga, aconselho vivamente esta leitura. Não ficará desapontado.
É um estilo directo, sem paninhos quentes ou floreados. Nota-se que – e perdoem-me se soar sexista – é um homem a escrever. Não é isento de emoção, apesar de tudo; está vinculada ao longo da história, afinal são as emoções (através de pensamentos e acções) que fazem as personagens agirem… ou fugirem. De qualquer forma, é o que as motiva a responder aos acontecimentos. 

Personagens
Demorei algum tempo a entrar na história – mas admito que foi distracção pessoal e não pelo autor. Dava por mim a dispersar-me nas frases, das quais gostava devido ao estilo da escrita, nos nomes das personagens que às vezes eram parecidos e alguns, parece-me, trocados (Logan e Lance, por exemplo). De qualquer forma, deu para entender. Um leitor que não se disperse tanto como eu não terá dificuldade em perceber. O autor fez algo que eu adoro, que foi introduzir a informação ao longo da história e não simplesmente despeja-la. Isto aborrece-me de morte, aliás aborrece qualquer leitor e aquele que disser o contrário estará a mentir. A informação, essa, revela-se extensa e de maior complexidade do que aquela que a sinopse, à partida, nos mostra. Temos três grandes grupos: os lobos/lobisomens, os vampiros e os obliteradores. A bem dizer, posso destacar ainda de outra maneira: os ocultos (vampiros, lobos, fazedores de magia, bruxos, etc), obliteradores e humanos. Em cada grupo, existem regras pautadas por uma hierarquia – ia dizer excepto no dos humanos, mas seria mentira, a hierarquia existe em todas as sociedades. Queria entrar em mais pormenores neste ponto, porque há bastante a dizer… mas não quero correr o risco de me alongar ainda mais. 
Para concluir este ponto, ressalvo que em cada grupo destacado várias são as personagens que surgem, cada uma com o seu tempo de antena, umas mais outras menos, obviamente, e citando o autor “todos eles tinham razões mais que suficientes para lutarem, para odiarem, até para matarem.”. E isto leva-me a outra questão que adoro abordar e ver integrada nas histórias e que está relacionada com este das personagens: os motivos delas. Daqui conclui-se que não só o estilo de escrita do autor é maduro e complexo como as personagens não são ocas e vazias. Não estão lá só para embelezar ou servir como palha para atear o fogo para ele alastrar mais depressa. Bom… o fogo alastra, mas depressa se apaga, não? Digo eu… há que ter – e desculpem a repetição – conteúdo para fortalecer a estrutura. 
Continuando…

Tópicos abordados
Tanto, tanto… aiii! 
Se tivesse de escolher o tópico principal iria para o amor. Contudo, este tema já tão batido não é abordado da mesma forma que vemos noutro romances com pitas a suspirarem por gajos que brilham e o catano (contra mim falo, claro, que houve um tempo em gostei de as ler… e depois houve algo a que chamo de crescimento e que me fez mudar, graças a ‘Deus’!). Que ninguém ouse comparar este livro ao Twilight sem o ter lido primeiro! 
Assim, vou optar por algo que está intrincado ao amor: a família. É uma história com personagens que agem de acordo com motivos familiares, talvez mais profundos do que isso; sejam os bons ou os maus ou os que estejam na área cinzenta (que, parafraseando o autor, nunca acabam bem). Por exemplo, Lance, o protagonista – ouso chamá-lo assim pois é a personagem de destaque – despoleta o primeiro conflito devido à perda da família (está na sinopse, não é spoiler!). Outros agem de acordo com a protecção da raça humana, outros ainda com a união de todas as raças para o bem comum. Há baixas em todas as guerras e esta não constituiu excepção. Tal como disse: sem paninhos quentes. 
Como tenho o direito de opinar como me aprouver, vou enumerar rapidamente outros temas abordados: a hierarquia, da qual já tinha falado - o sistema de castas dos lobos, temos por exemplo: os primordiais, os infectados, etc; acho que dá perceber a principal diferença entre eles só pelos nomes – os valores de grupo e de espécie, traições, amor… bem… são tantos que até me esqueço. É pena uma opinião não poder fazer justiça face ao que a leitura nos transmite…
Tinha mais a dizer, muito, muito mais, mas fico-me por aqui. 

Termino este texto dizendo que o autor merecia mais. É apenas uma história – uma de muitas escritas por Frazão, tenho a certeza, – mas uma mesmo boa, complexa e não linear, com cabeça-tronco-e-membros. De nada vale ‘chorar’, pois já se sabe que em Portugal o mérito nunca é reconhecido e, na maioria das vezes, até é camuflado e suprimido… mas merecia mais, sim senhor. Bom, da minha parte – que também eu sou apenas uma leitora e só por carregar nas 4* aqui do goodreads não vai acontecer nada – o autor teve e tem o meu reconhecimento. Resta-me esperar para poder ler mais uma história de Vítor Frazão ou, na pior das hipóteses, reler esta e ficar com a memória, fracamente impressa nesta opinião, do que a leitura me transmitiu. 


06.05.2014 

4*

Comments

  1. Só por teres referido que quem gosta de anime/manga vai gostar desse livro, já me deu alguma "pica" para pegar-lhe! :)

    ReplyDelete
  2. Não conhecia este livro, mas pelos vistos é mais um que vale a pena! beijinhos!
    :)

    ReplyDelete
    Replies
    1. Não tem um estilo (de escrita) nem um género que agradem a todos! Eu gostei bastante! bj*

      Delete
  3. Também gostei e dei, na altura, 4*.
    Há por aí boas histórias de autores portugueses que estão a ser deixadas "de parte" devido a causas muito obscuras! :(

    ReplyDelete

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