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"Um Pequeno Escândalo" - Patricia Cabot

Um Pequeno Escândalo


Um pequeno escândalo já é o segundo romance de Patricia Cabot que leio, logo a seguir ao Rosa Selvagem. Tal como no primeiro, passei os olhos na diagonal pelos ratings e pelas opiniões e ainda assim criei expectativas em relação a este.
Encontrei três inconsistências - pelo menos - das quais apenas me lembro de uma, que mencionarei mais à frente nesta opinião.
Burke Traherne, o terceiro marquês de Wingate, inicia este volume de uma forma divertida (pena foi depois a continuação): a carregar a sua tempestuosa filha, Lady Isabel, como um saco de batatas. Literalmente. É aqui que entra Miss Kate Mayhew, uma preceptora bastante competente e que Burke, por falta de alternativas (ou não), contrata para dama de companhia da filha.
Devo dizer que o que me entristeceu foi a ausência de conversas entre Burke e Kate (tanto mais não fosse por Isabel), os olhares, as danças (mesmo sendo dama de companhia), ou outra actividade que qualquer um deles gostasse de realizar. Noutros livros, temas como as flores, a arte, o teatro, a escrita ou a música foram utilizados para dar - o que gosto de chamar - background às personagens, o tal sumo, conteúdo que faz delas mais do que simples personagens. E isso neste volume não se verificou.
O livro tem duas partes, devidamente assinaladas, e a segunda foi o descalabro total. No início da segunda parte ocorrem alguns saltos temporais e a meio já acontece tudo muito lentamente, ora descreve o dia, depois a noite e depois ainda o dia seguinte e por aí fora. Não houve um meio-termo que mediasse o ritmo da história e creio que o acontecimento que despoletou a segunda parte foi bastante forçado.
Acontece que Miss Kate Mayhew tem um segredo que quis esconder a todo o custo – ou daí talvez não – porque o cargo de dama de companhia faria com que ficasse à vista de muitos olhos indiscretos. Esta contradição, apesar de não ter sido uma das inconsistências que detectei, foi um acontecimento que se revelou – aos meus olhos – forçado.
Inevitavelmente – e não considero isto um spoiler – com 36 anos, Burke enamora-se pela linda e jovem Miss Mayhew, tendo mais 13 anos que a mesma, o que perfaz 23 anos. E aqui vem a terceira inconsistência que encontrei e a única que me ficou registada. Lady Isabel, filha de Burke, foi descrita como uma adulta, pressuponho que na viragem dos 17 para os 18 anos. Ora acontece que durante a segunda parte, a narradora revela que quando Lady Isabel nasceu, Kate tinha 13 anos… Ora, vamos fazer contas. Se Burke tinha 36 anos, e mais 13 que Kate (tendo esta 23) e sendo que Isabel tinha 17 anos, a diferença entre as duas personagens femininas perfaz… ora, não é muito difícil, é? Sete anos. Só se eu percebi mal… mas… enfim, sendo a terceira inconsistência duvido muito que fosse perceber mal 3x, não? Pronto, pronto…
O antagonista da história fica logo à partida descoberto, o que não revela surpresa no final.
Ah, outro pormenor do qual também não gostei foi a brutalidade de Burke. O homem parecia um homem das cavernas, chegou a roçar o ridículo as imagens que a autora introduziu na minha mente com as descrições…

Em comparação com o outro, este deixou bastante a desejar. Uma pena…

~ Terminado a 21 de Abril de 2014 ~

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