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"Tatiana e Alexander" | Paullina Simons

Tatiana  (The Bronze Horseman, #2) Alexander (The Bronze Horseman #2.5 ) 

Título: Tatiana (#2) e Alexander (#2.5)
Autor: Paullina Simons
Editora: ASA
Publicação: Abril e Setembro | 2014
Título/Publicação Original: Tatiana & Alexander (#2) | 2003
Sinopse: Aqui e Aqui
Cotação


Tatiana e Alexander é o volume da aclamada trilogia de Paullina Simons que dá continuidade a O Grande Amor da Minha Vida - que li em 2012. Antes de começar a opinião, realço que juntei as opiniões dos dois livros cujas capas figuram em cima. No original formam o segundo volume e que a ASA vendeu em separado publicitando como trilogia. Adiante…

Em 2012, eu era uma novata nas leituras. Tinha começado a ler em maio desse ano após um período a seco de três anos – o tempo decorrido desde a entrada para a faculdade – de forma que não tinha critério de escolha. Depois da leitura de O Grande Amor da Minha Vida, fiquei completamente sem palavras, de ressaca, e até hoje poucos foram os que encontrei que se assemelhassem à sua profundidade emocional.

Neste volume, estamos em 1943. De um lado, na ilha Ellis, numa América que serve de asilo aos refugiados dos países que estão no centro da guerra e arredores, vemos uma Tatiana, com um filho nos braços, a aprender a viver um dia de cada vez – com medo, com saudade e com esperança, afinal a América é onde os sonhos se podem concretizar... Do outro lado, temos Alexander numa Rússia em guerra em várias frentes, de pés e mãos atados, com inimigos no seu encalço e amigos “da onça” que revelam a sua verdadeira face para salvar a própria vida. Face a isto, o que poderia eu pensar? Como raio vai Paullina Simons juntá-los de novo? Será que os vai juntar? Tal como a sinopse nos diz, Tatiana continua a “ouvir a voz do seu grande amor” e tem fortes razões para isso. A autora optou por uma estratégia que ao início me fez duvidar da qualidade que encontrei no primeiro; com os dois a recordar tempos mais fáceis, mais felizes, tempos em que ainda tinham mais do um ao outro, vemos também o passado de Alexander, que inclui os seus pais, desde a vinda da América para a Rússia até entrar para o Exército Vermelho aos dezasseis anos e conhecer Tatiana e a família Metanova.

Sem querer entrar em grande detalhe – até porque infelizmente não sou especialista sobre as Guerras Mundiais, História Russa, ou em qualquer tipo de época histórica – ainda consigo admirar-me pelo alcance e extensão da maldade humana. Seria mau sinal se assim não fosse. O que é inegável e que ainda hoje vemos é como a Europa e as grandes potências continuam a abafar a realidade. Antigamente, eram as prisões, as deportações, as violações, as torturas a altos comandos do Exército, seja qual fosse a patente, os jogos psicológicos aos elementos do povo e do proletariado que eram mandados para campos de trabalho para os subjugarem a uma vida miserável de prisão e castigo sem qualquer tipo de contestações da parte deles… Eram os racionamentos de comida, entendo a necessidade de os ter porque os recursos escasseavam e não dava para dar resposta a toda a população, mas a forma como as pessoas eram tratadas nos campos de trabalho e nas prisões, obrigadas a comer do chão como cães, confinadas em espaços pequenos, bafientos e frios, sem acesso à luz do sol, com doenças por subnutrição, doenças por má higiene, doenças por trabalho árduo e exaustão, doenças por tudo e mais alguma coisa! Ainda que existissem entidades mundiais voluntárias responsáveis em lhes fazer chegar melhores condições alimentares e de saúde – como a Cruz Vermelha – rapidamente foram banidas e impedidas de entrar! Deus, que mundo este!

No goodreads uma leitora disse que este livro era uma autêntica lição de História e não posso concordar mais. O nível de detalhe assustou-me e, tal como no primeiro, senti o medo, a fome, o frio, a morte a chegar para me levar – eu sei, que ingenuidade a minha sentir uma coisa assim. É claro que é tudo numa perspectiva de observador... e nem sei se diga feliz ou infelizmente; era preferível nenhum, pois significava que isto nunca tinha acontecido e que era tudo ficcionado. Seria tão reconfortante se assim fosse.

Alexander é o terceiro volume que na verdade é a segunda parte do segundo livro [#2.5] e andam a vender os três livros [#1, #2, #2.5] como trilogia. Neste #2.5 temos dois capítulos e um epílogo alternativo escrito antes do terceiro livro original. Dei 5* porque foi de arrasto ao Tatiana [primeira parte do segundo livro, vendido como #2] e a autora não tem culpa da borrada da editora. Apesar de sentir falta do terceiro da trilogia, The Summer Garden, admito que o epílogo é inteligente, encerra perfeitamente uma história épica de guerra, de amor e de esperança.

Andei a evocar o romance e o amor de Tatiana e Alexander e a gabá-los, para o bem e para o mal, a várias pessoas com quem falo. É um amor intemporal de duas almas que jamais desistiram, que lutaram e mantiveram a esperança nos momentos de maior angústia e sofrimento.

É uma história épica e o nível de detalhe com que a autora enriqueceu este romance é arrebatador; a sua escrita maravilhosa, as personagens, os locais, os procedimentos médicos, as viagens, as deportações, as torturas… Senti-me esmagada, insignificante e só de pensar que isto ocorreu há setenta ou oitenta anos nem sei o que dizer.

Além de uma lição de história, ainda acrescento que é uma lição de vida. Oh, se é!

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